Pesquisa investiga sistemas responsivos inspirados na natureza e suas relações com o corpo, o espaço e a tecnologia
O LabDesign — Processos Criativos, Experiência e Inovação, do Instituto Mauá de Tecnologia, apresentará a obra “Biomimetic + P.U.L.S.A.R.” no Ars Electronica Festival 2026, realizado de 9 a 13 de setembro, em Linz, na Áustria. O trabalho integra a exposição coletiva “HumanMapping”, vinculada à Ars Electronica Campus Exhibition e à rede Media Lab/Iberoamérica. Profa. Agda Carvalho e Prof. Murilo Orefice, do curso de Design, apresentarão a obra.
Intitulada “Entre sistemas naturais e artificiais: processos adaptativos e responsivos em ‘Biomimetic + P.U.L.S.A.R.’”, a pesquisa aproxima design, arte, ciência e tecnologia para investigar como comportamentos encontrados na natureza podem orientar a criação de sistemas interativos capazes de perceber, responder e se reorganizar diante das transformações do ambiente.
O projeto parte da observação de organismos que manifestam comportamentos adaptativos e formas descentralizadas de organização. Entre suas principais referências estão as redes formadas pelos micélios dos fungos e a Mimosa pudica, popularmente conhecida como dorme-dorme, planta que movimenta suas folhas como mecanismo de proteção quando submetida ao toque, a vibrações ou a outras alterações externas.
Essas referências biológicas não são utilizadas apenas como metáforas visuais. Elas orientam a concepção de uma arquitetura responsiva na qual diferentes componentes interagem com o corpo, o espaço e as condições sociais presentes no ambiente. A obra investiga, assim, possibilidades de autorregulação, adaptação, conectividade e inteligência distribuída.
Uma estrutura que percebe e responde
“Biomimetic + P.U.L.S.A.R.” integra sensoriamento, movimento, luz e projeção audiovisual. Uma rede de sensores identifica aproximações, deslocamentos, orientações corporais e variações ambientais. Os sinais são processados em tempo real e transformados em respostas cinéticas e luminosas.
O movimento é distribuído entre diferentes partes da estrutura, permitindo variações de postura, tensão e configuração espacial. A luz atua como uma camada comunicativa, traduzindo a intensidade das interações em mudanças de brilho, ritmo e difusão. O dispositivo deixa, desse modo, de funcionar como um objeto passivo e passa a participar do ambiente, modificando continuamente seu comportamento a partir da presença e das ações das pessoas.
A estrutura pode ser apresentada como um objeto escultórico que interage com o espaço expositivo ou como um wearable, articulado ao corpo de um performer. Nas duas configurações, uma projeção videográfica apresenta o percurso conceitual da pesquisa e evidencia as transformações e adaptações do sistema.
Design, biomimética e relações interpessoais
Ao transformar comportamentos naturais em respostas tecnológicas, o projeto propõe uma reflexão sobre as relações entre organismos, pessoas e ambientes. Processos como aproximação, retração, proteção, conexão e reorganização tornam-se elementos de uma experiência sensível, na qual as mudanças da estrutura também representam, metaforicamente, as dinâmicas das relações interpessoais.
Na exposição “HumanMapping”, a obra estabelece um diálogo com outros projetos brasileiros que problematizam as fronteiras entre o orgânico e o sintético, o humano e o não humano. A mostra reúne trabalhos do Instituto Mauá de Tecnologia, da Universidade Federal de Goiás e da PUC-Campinas, instituições participantes da rede Media Lab/Iberoamérica.
A participação na Ars Electronica amplia a circulação internacional das pesquisas desenvolvidas pelo LabDesign e reforça sua atuação interdisciplinar na aproximação entre design, biomimética, arte tecnológica, interação e sistemas responsivos.
Saiba mais: Ars Eletronica – Biomimetic + P.U.L.S.A.R.
